Cimeira histórica no Alasca: muito mais do que parece

(Carlos Fino, Agostinho Costa, Tiago André Lopes,16/08/2025)


Correu tudo bem. Grande encenação, dois grandes actores. A União Europeia continua em negação, a rilhar a língua despeitada. Os próximos capítulos da novela só podem ser positivos. O palhaço de Kiev está sem pinta de sangue e ontem snifou a sua cocaína em dose tripla… 🙂

Segue excelente texto de Carlos Fino sobre a Cimeira e vídeo com as opiniões do Major-general Agostinho Costa e de Tiago André Lopes.

Estátua de Sal, 16/08/2025


Cimeira histórica no Alasca: muito mais do que parece

(Carlos Fino, in Facebook, 16/08/2025)

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A sensação, à primeira vista, é de frustração: só isto? Afinal, tanto barulho para nada?! Mas, olhando melhor, por detrás da aparente inocuidade, está uma enorme mudança – Trump e Pútin viraram a página do confronto total à beira do abismo, retomando a via do confronto regulado. Parecendo pouco, é enorme -verdadeiramente histórico.

O grande vencedor imediato é Pútin, que, de vilipendiado e ostracizado, voltou,

em passadeira vermelha, pela mão (e o aplauso!) de Trump, ao grande palco da política mundial. De onde, na realidade, apesar da hostilidade ocidental, nunca chegou a sair graças aos BRiCS, engenhosa e paciente construção da diplomacia russa. Mas uma coisa é lidar com a versão contemporânea dos antigos Não Alinhados do tempo da Guerra Fria, outra falar de igual para igual com o líder da maior potência mundial,  em encenação mediática  de repercussão universal, prendendo as atenções de todo o mundo.

Trump, por seu turno, a coberto de uma nuvem de ameaças e zigzagues para confundir e despistar os seus poderosos adversários neoconservadores, consegue a proeza de restabelecer as relações com a Rússia praticamente contra tudo e contra todos. Compreendendo que a guerra na Ucrânia está perdida, teve a sagacidade de se colocar de fora ainda a tempo, agindo como se fosse  parte neutra e evitando dessa forma para os EUA mais uma retirada  sem honra nem glória como aconteceu no Vietname e no Afeganistão. Em compensação, vê abrirem-se-lhe as portas de acesso às riquezas da Sibéria e do Ártico, em cooperação com Moscovo. Não é um mau negócio.

A paz eterna está finalmente estabelecida? Não, de modo nenhum, infelizmente! Em declínio, mas ainda maior potência do planeta, os EUA continuarão a contrariar a emergência de potências rivais, em particular a China, que já se perfila no horizonte como seu principal desafio. Mesmo em relação à Rússia, não terminarão amanhã os esforços de a conter, sempre e onde puderem – do Báltico ao Cáucaso, passando pela Ucrânia. Mas, neste último caso, parece haver vontade de uma progressiva retirada, agora que a Rússia está em vias de ganhar.

Os grandes perdedores são manifestamente Zelensky e os europeus,  que insistiram na guerra, totalmente alinhados com a administração Biden, primeiro, e não sabendo depois distanciar-se a tempo quando Trump  sinalizou que ao excessivamente caro intervencionismo externo dos seus antecessores, preferia virar-se para dentro, a fim de Make America Great Again. É triste olhar para  os protagonistas da UE neste cenário.

Obtida a certeza de que não haverá Nato na Ucrânia nem Ucrânia na Nato, os russos vão continuar a avançar até que Kíev aceite as realidades no terreno. Ou que, por força das contradições internas que tendem a acentuar-se com as derrotas, haja eventualmente uma mudança de regime naquela que foi “a primeira de todas as cidades russas”.

Ou seja, de imediato, não haverá cessar-fogo. Mas o tom já mudou na relação entre Moscovo e Washington. E esse é o grande resultado desta aparentemente vazia cimeira histórica no Alasca.


5 pensamentos sobre “Cimeira histórica no Alasca: muito mais do que parece

  1. Ó cetaciozinho da mãozinha (ou barbatana) atrás do arbusto, e se te deixasses de “responder” onde pensas que não te vejo, para não levares com a merecida resposta (pública) no trombil, pá? Acaso no teu dicionário não existe a palavra frontalidade? Ou dignidade, já agora? Não te cansas de alçar a perninha para não deixar esquina por marcar? E não consegues perceber que é um abuso comparares-te com o Albarda-mos, que equivale a comparar a Feira de Borba com o olho do cu? Vai-te lixar, ó covidezinho de meia tigela, que já me estás a cansar!

  2. E ao que parece os miseráveis líderes europeus preparem se para ir amanhã rumo a Washington na qualidade de vassalos de Herr Zelensky.
    A Van der Pfizer já garantiu ao traste que a Ucrânia não entrega territórios e Herr Zelensky já disse que por ele os combates vão continuar mesmo que a Rússia aumente os ataques.
    Por isso isto vai continuar mesmo até ao fim amargo.
    Porque Trump já disse que esta não e a sua guerra e se esta nas tintas para se os europeus se querem imolar nela.
    Não sei o que esperam conseguir amanhã mas vamos mesmo ter de continuar a patrocinar Herr Zelensky enquanto o país arde, as barracas crescem, gente morre a espera da ambulância ou de consulta no SNS.
    Vão todos para a raiz da p*ta selvagem de Babilônia que os pariu já que nem os tubarões brancos famintos iam querer nada com eles. Os pobres bichos morreriam envenenados.

  3. Já sei o Camacho que a inteligência chegou aí e se afogou.
    A coisa não era assim tão descabida pois muitos comentadeiros noutras paragens mostram se sinceramente surpreendidos por “um criminoso de guerra” ter estado em território americano, ser aí recebido com passadeira vermelha e regressado em paz ao seu país.
    E não era de todo impossível que se arregimentasse um dos tais chalados como aquele que enfiou quatro tiros no bestunto do Robert Fico.
    E uma vez tendo a coisa acontecido sempre se atribuiria a um lunático isolado. Foi isso que se fez com Kennedy, porque não com um líder estrangeiro odiado por todo o Ocidente alargado.
    Claro que a coisa teria riscos mas não seria nada que os norte americanos não pudessem fazer. Ate porque já fizeram.
    Ainda bem que não aconteceu porque a verdade e que não tenho qualquer interesse em viver num mundo em que seja só a psicopatia ocidental a mandar.
    E a morte ou rapto de Putin poderia contribuir para isso.
    As opiniões valem o que valem e ninguém precisa de ser acusado de ter só dois neurónios nem ser xingado de Cassandra.
    Tenta imitar o Albarda mos, que também considerava descabida a ideia de rapto ou morte do dirigente russo mas soube manter a coisa a um nível civilizado.
    Tinha dito que contigo não queria mais conversa mas a verdade e que este calor homicida não me está a dar a virtude da paciência.
    Vai ver se o rio da enguias.

  4. Na cimeira EUA-UE na Escócia, com a von der Leyen a acordar as tarifas impostas por Trump, quando tinha dito aos europeus que ia negociar no duro e não ia facilitar, sabe-se mais ou menos o que a Europa perdeu, e ainda se propôs investir fortunas em importação de energia a uma escala desmesurada e em armamento e munições.
    Nesta “Pursuing Peace” no Alasca (sem Zelensky e sem os “grandes líderes” europeus, que devem estar mais atarantados do que nunca, especialmente os que ainda não perceberam como os americanos lhes passaram a perna usando a sucursal da OTAN, a actual UE, e o ditador de facto da Ucrânia, o mesmo acontecendo com os europeus, sobretudo os ucranianos, pelo menos aqueles que sempre acreditaram que era pelos “nossos valores e a democracia” que se armava a Ucrânia e se fazia tudo para derrotar estrategicamente a Rússia), ainda não se sabe bem o quanto os europeus perderão. para além de tudo o que já perderam por iniciativa dos “grandes líderes” em toda esta grande alhada.
    Tudo isto é “showbizz”, e cada um, Trump, Putin, Zelensky, von der Leyen, Macron, Merz, Starmer, Orban, Meloni, Sanchéz, etc vai enrolando os respectivos públicos e encantando os pategos que ainda acreditam na inocência, boa vontade e pureza de intenções destes “salvadores da pátria”. Eles estão lá para favorecer elites e eles próprios no processo.
    E vamos ver se não estamos perante uma espécie de “(re)partição do mundo” a evocar o Tratado de Tordesilhas, mas sem qualquer registo e regras maleáveis, e ainda incluindo com o espaço e o ártico.

  5. Excelente texto ! Trump com seu jeito circense realmente driblou sua turma . Putin não me decepcionou com sua postura diplomatica e até alegre . Parecia dizer, como Catarina , eles precisam saber que que na Rússia não temos só neve e lobos . Já os europeus saudoso do seu passado colonial comportam-se de maneira patética .
    É certo que os conflitos permanecem e muita negociação vem por aí . Lavrov vai trabalhar muito ! Mas Putin e a Rússia voltaram a cena , como estadista e potência mundial respectivamente . Bye bye Zelensky , Steimer , Von der Leyen , Merz e Macron . Auf Wiedersehen !

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